Considerando que na luta contra as forças organizadas do capitalismo e dos governos é necessária a união das forças anarquistas, aspira que tal união se determine sempre mais forte e mais extensa, sobre a base da solidariedade e do concurso consciente de todas as vontades individuais; conseqüentemente retém que os anarquistas, de acordo não somente no plano das idéias, mas também sobre os seus métodos de luta, unam suas forças constituindo-se por grupos em toda a parte e associando tais grupos entre si, conservando naturalmente a autonomia individual nos grupos e a autonomia dos grupos em suas uniões; declara que, ainda que mantendo como necessária esta associação de energias para a ação coletiva, é igualmente necessário que permaneça a ação individual, nos seus desenvolvimentos mais conscientes, de cada um segundo suas forças.
A idéia anarquista tem, como base primeira, a liberdade individual, mas aqueles que pretendem que a liberdade individual na anarquia seja infinita e absoluta, seriam utopistas no sentido mais ridículo do termo, pois o infinito e o absoluto são conceitos abstratos, configurações mentais sem possibilidade de realização prática. Pois bem, é sempre em nome da liberdade individual que numerosos anarquistas, segundo lhes seja conveniente, ou proclamam o direito de fazer seja lá o que for, inclusive atingir a liberdade e o direito do outro, ou declaram incoerente toda a tentativa de realização revolucionária e de organização pela propaganda.Ouvimos dizer que a organização é um método e não um fim; isto é um erro. O princípio da organização não se propagou somente porque organizando-nos hoje poderemos melhor preparar a revolução, mas também porque o princípio da organização em si é um dos postulados principais da doutrina anarquista.Na sociedade burguesa, que o Estado e a Igreja se encarregam de manter unida pela hierarquia para poder explorá-la em sua vantagem, a vontade individual é absorvida e freqüentemente anulada pelo mecanismo social, que pretende prover a tudo e a regular a vida dos indivíduos desde o seu nascimento até a morte. Nesta sociedade, cuja organização é monopolizada pelo Estado e pelo capitalismo, a única organização concebível é aquela para luta contra a opressão e a exploração.Como criticamos as instituições atuais do Estado, da propriedade, da família, para preconizar o advento da anarquia, do comunismo e do amor livre, nós sentimos igualmente a necessidade de atacar e de criticar o sistema de organização autoritária, para propagar a idéia da organização libertária.Sem a organização a anarquia é tão inconcebível quanto o fogo sem a matéria para fazê-lo. E nós propagamos esta idéia não somente pelas razões que iremos enunciar, mas também porque estamos tão persuadidos de que as consciências modernas devam impregnar-se deste seu espírito, sobretudo as consciências dos anarquistas. A organização para metas gerais, com pessoas de outros partidos e outras idéias é útil; mas para formar a consciência anarquista, para precisá-la naqueles que já são anarquistas, temos que adotar a organização dos próprios anarquistas, que deve esforçar-se por ser a mais libertária possível. É neste esforço de tornar libertária a organização dos anarquistas, que consiste a elaboração da nova consciência antiautoritária entre nós, cujo anarquismo é amiúde limitado a uma convicção unicamente doutrinária.No fundo o que é a luta revolucionária senão uma série de inumeráveis tentativas, das quais apenas uma, a derradeira, tem sucesso? Quem teria vencido se não houvessem os fracassos antecedentes? Da mesma forma, no que tange à organização, tentaremos com todas as nossas forças obter sucesso; cada derrota nos aproximará da vitória, mas em cada vez faremos com que nossa tentativa seja melhor e que tenha um resultado menos imperfeito. Isto será mil vezes mais útil para formar consciências que a predicação doutrinária somente.
Por outro lado, aqueles que se declaram inimigos da organização, o são geral-mente porque sentem-se incapazes da solidariedade libertária e no fundo não sabem sair deste dilema: comandar ou serem comandados. Não possuem a consciência "libertária" e portanto não vêem teoricamente outra garantia para a liberdade individual senão o isolamento, a ausência de qualquer pacto e de qualquer vínculo livremente aceitos. Na prática são eles que querem dirigir o movimento e à primeira tentativa de alguém para subtrair-se de suas diretivas, ao primeiro sinal de independência daquele que obstina-se a pensar e a agir à sua maneira, logo se verá tais indivíduos lançarem excomunhões, gritar por incoerência e traição e afirmar que aquele que não age e não pensa como eles não é anarquista. Assim fizeram os padres de todos os tempos e de todas as religiões. Alguém de boa fé se ergueria mais contra a forma do que contra a substância.
Eles não querem a organização mas falam de acordo, de entendimento, de livre pacto e de associação! Não nos ocuparemos destas questões terminológicas e nos limitaremos a relembrar,de uma vez por todas, que organização não significa nem autoridade, nem governo, nem vexação, mas apenas : associação harmoniosa dos elementos do corpo social.
Como queremos que todos os homens, um dia, estejam associados harmonicamente, preconizamos hoje, na luta pela preparação de um tal futuro, a associação harmoniosa dos anarquistas. A organização é um meio para atingir este fim, e um meio mais condizente com as finalidades sociológicas do anarquismo.
Não perderei muito tempo demonstrando como, em linhas gerais, a organização libertária é uma necessidade. Já mostrei, em outro lugar, que a organização, longe de limitar a liberdade individual, a estende e a torna verdadeiramente possível, pois ela oferece ao indivíduo uma soma maior de forças para vencer obstáculos e para melhorar, forças estas que faltariam a cada indivíduo tomado isoladamente.
"A maior satisfação possível de seu eu - dizia eu então - o maior bem estar material e moral , a maior liberdade são possíveis somente quando um homem estiver ligado ao outro pelo pacto de ajuda mútua. Um homem de acordo com a sociedade é sempre mais livre que um homem em luta contra a sociedade. Os anarquistas combatem a organização social atual justamente porque ela impede a existência de uma sociedade relativamente útil a todos os indivíduos e trabalham para que a sociedade inteira não seja mais regulada pela luta a mais encarniçada e feroz, sobre a exploração e sobre a violência tirânica do homem sobre o homem.
Podemos nos rebelar contra esta má organização da sociedade, mas não contra a sociedade em si, como pretendem alguns individualistas. A sociedade não é um mito, nem uma idéia, nem um órgão pré-ordenado e feito por alguém, para que seja possível não reconhecê-la e tentar destruí-la. Ela nem mesmo é - como nos acusam de pensar os stirnerianos - uma coisa superior aos indivíduos e à qual é necessário fazer o sacrifício do seu eu como diante de um fetiche. A sociedade é simplesmente um fato do qual nós somos os atores naturais e que existe na medida em que lá estamos. A sociedade é o conjunto dos indivíduos vivos e cada indivíduo é, por sua vez, tal qual as influências externas, sem excluir as sociais, o formam.
Tudo isso é um fato natural, ligado à vida universal do cosmos. Rebelar-se contra este fato é rebelar-se contra a vida : morrer. Cada indivíduo existe na medida em que ele é o fruto material, moral e intelectual da união de outros indivíduos; ele somente pode continuar vivo, somente pode ser livre, somente pode desenvolver-se fisicamente com a condição de viver em sociedade."
Muitos nos objetam que o homem é egoísta e que sempre é o egoísmo que impele o homem a agir, mesmo quando, aparentemente, os pensamentos e ações são altruístas. Negando o altruísmo, estes opositores chegam logicamente a negar o espírito de solidariedade e de associação.
Não há nada mais perigoso, de certo modo e especialmente para cérebros pouco refletidos, do que se apossar da lógica e levá-la às últimas conseqüências à partir de um princípio dado. Isto vale especialmente quando, à partir do mesmo princípio, pode-se chegar a conclusões absolutamente opostas. Ocorre muitas vezes que, construindo teorias mais ou menos justas no seu ponto de partida, ao evoluir com a lógica cheguemos a um ponto ao qual não esperávamos ou não queríamos chegar. Isto acontece especialmente quando tratamos com doutrinas abstratas, abandonando completamente o campo experimental dos fatos.
Isto acontece de fato com muitos anarquistas individualistas de todos os matizes, desde o individualismo stirneriano anti-socialista até o individualista comunista anti-organizador.
Por outro lado, aqueles que se declaram inimigos da organização, o são geral-mente porque sentem-se incapazes da solidariedade libertária e no fundo não sabem sair deste dilema: comandar ou serem comandados. Não possuem a consciência "libertária" e portanto não vêem teoricamente outra garantia para a liberdade individual senão o isolamento, a ausência de qualquer pacto e de qualquer vínculo livremente aceitos. Na prática são eles que querem dirigir o movimento e à primeira tentativa de alguém para subtrair-se de suas diretivas, ao primeiro sinal de independência daquele que obstina-se a pensar e a agir à sua maneira, logo se verá tais indivíduos lançarem excomunhões, gritar por incoerência e traição e afirmar que aquele que não age e não pensa como eles não é anarquista. Assim fizeram os padres de todos os tempos e de todas as religiões. Alguém de boa fé se ergueria mais contra a forma do que contra a substância.
Eles não querem a organização mas falam de acordo, de entendimento, de livre pacto e de associação! Não nos ocuparemos destas questões terminológicas e nos limitaremos a relembrar,de uma vez por todas, que organização não significa nem autoridade, nem governo, nem vexação, mas apenas : associação harmoniosa dos elementos do corpo social.
Como queremos que todos os homens, um dia, estejam associados harmonicamente, preconizamos hoje, na luta pela preparação de um tal futuro, a associação harmoniosa dos anarquistas. A organização é um meio para atingir este fim, e um meio mais condizente com as finalidades sociológicas do anarquismo.
Não perderei muito tempo demonstrando como, em linhas gerais, a organização libertária é uma necessidade. Já mostrei, em outro lugar, que a organização, longe de limitar a liberdade individual, a estende e a torna verdadeiramente possível, pois ela oferece ao indivíduo uma soma maior de forças para vencer obstáculos e para melhorar, forças estas que faltariam a cada indivíduo tomado isoladamente.
"A maior satisfação possível de seu eu - dizia eu então - o maior bem estar material e moral , a maior liberdade são possíveis somente quando um homem estiver ligado ao outro pelo pacto de ajuda mútua. Um homem de acordo com a sociedade é sempre mais livre que um homem em luta contra a sociedade. Os anarquistas combatem a organização social atual justamente porque ela impede a existência de uma sociedade relativamente útil a todos os indivíduos e trabalham para que a sociedade inteira não seja mais regulada pela luta a mais encarniçada e feroz, sobre a exploração e sobre a violência tirânica do homem sobre o homem.
Podemos nos rebelar contra esta má organização da sociedade, mas não contra a sociedade em si, como pretendem alguns individualistas. A sociedade não é um mito, nem uma idéia, nem um órgão pré-ordenado e feito por alguém, para que seja possível não reconhecê-la e tentar destruí-la. Ela nem mesmo é - como nos acusam de pensar os stirnerianos - uma coisa superior aos indivíduos e à qual é necessário fazer o sacrifício do seu eu como diante de um fetiche. A sociedade é simplesmente um fato do qual nós somos os atores naturais e que existe na medida em que lá estamos. A sociedade é o conjunto dos indivíduos vivos e cada indivíduo é, por sua vez, tal qual as influências externas, sem excluir as sociais, o formam.
Tudo isso é um fato natural, ligado à vida universal do cosmos. Rebelar-se contra este fato é rebelar-se contra a vida : morrer. Cada indivíduo existe na medida em que ele é o fruto material, moral e intelectual da união de outros indivíduos; ele somente pode continuar vivo, somente pode ser livre, somente pode desenvolver-se fisicamente com a condição de viver em sociedade."
Muitos nos objetam que o homem é egoísta e que sempre é o egoísmo que impele o homem a agir, mesmo quando, aparentemente, os pensamentos e ações são altruístas. Negando o altruísmo, estes opositores chegam logicamente a negar o espírito de solidariedade e de associação.
Não há nada mais perigoso, de certo modo e especialmente para cérebros pouco refletidos, do que se apossar da lógica e levá-la às últimas conseqüências à partir de um princípio dado. Isto vale especialmente quando, à partir do mesmo princípio, pode-se chegar a conclusões absolutamente opostas. Ocorre muitas vezes que, construindo teorias mais ou menos justas no seu ponto de partida, ao evoluir com a lógica cheguemos a um ponto ao qual não esperávamos ou não queríamos chegar. Isto acontece especialmente quando tratamos com doutrinas abstratas, abandonando completamente o campo experimental dos fatos.
Isto acontece de fato com muitos anarquistas individualistas de todos os matizes, desde o individualismo stirneriano anti-socialista até o individualista comunista anti-organizador.
Por:Taty

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